Dia Mundial contra o Trabalho Infantil
Neste dia, lembro que sou filha de um homem que nunca pôde ser menino.
Começou a trabalhar com 11 anos, numa Alhandra pobre, num país que não apoiava nem protegia os mais vulneráveis.
Um país onde tantas crianças trocavam os cadernos pela enxada, pela olaria, pela fábrica.
Nos Esteiros, Soeiro Pereira Gomes deu-lhes nome: Gineto, Gaitinhas, Guedelhas…
Eram crianças como o meu pai — sem direitos, sem escola, sem futuro.
O 25 de Abril trouxe liberdade, mas também escola pública, saúde, proteção social — trouxe dignidade.
Por isso, importa reafirmar com clareza:
⚠️ Sem Estado Social, corremos o risco de recuar para um país onde a infância era sacrificada à sobrevivência.
Proteger os direitos das crianças é garantir que nunca mais voltamos a ser essa nação injusta e indiferente.
Manuela Ralha

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© Manuela Ralha