Não, não vale tudo
Na política, como na vida, não pode valer tudo. Há fronteiras que, quando ultrapassadas, não denunciam apenas a ausência de ética — denunciam a perda da dignidade.
É vergonhoso, profundamente vergonhoso, usar a pobreza, a vulnerabilidade e a dor alheia como trunfo eleitoral. Instrumentalizar a necessidade das pessoas para conquistar votos é explorar o desespero em benefício próprio. É transformar a política — que deveria ser a arte de servir — num palco de manipulação onde o sofrimento se torna moeda de troca.
Quando se promete aquilo que não se pode cumprir, ignorando regulamentos sérios e políticas públicas fundamentadas, compromete-se a credibilidade das instituições e desvaloriza-se o trabalho rigoroso dos técnicos, bem como o esforço contínuo de quem, com seriedade e dedicação, procura responder às necessidades dos mais vulneráveis. Substitui-se o dever de responsabilidade por estratégias oportunistas, colocando em causa o interesse público em nome da demagogia e do clamor momentâneo.
A política ética não compra, capacita. Não humilha, emancipa. Não aparece apenas em tempos de eleições, mas permanece, constrói e responde de forma estruturada, com políticas públicas sólidas, com justiça, com verdade.
Não, não vale tudo. Porque quando vale tudo, o que perdemos é o que mais importa: a confiança, a esperança, a integridade.
E quem transforma a pobreza em palco de propaganda, está a falhar no mais básico princípio de humanidade. E isso, em democracia, não pode ser aceitável.
Manuela Ralha
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