Quando o ódio distrai da verdadeira luta

"O primeiro passo para o totalitarismo é a substituição da verdade pelos factos fabricados.”

— Hannah Arendt

Há um padrão antigo — e perigosamente eficaz — que a História nos ensinou a reconhecer: quando o povo está farto, empobrecido e sem respostas, alguém aparece a apontar o dedo aos mais fracos como se fossem os culpados.

É assim que nascem as falsas notícias, as falsas indignações… e os verdadeiros perigos para a democracia.

Hoje, há quem diga que os culpados da crise no SNS são os imigrantes.

Que os salários baixos são por culpa dos que chegam de fora.

Que a pobreza é agravada por quem recebe apoios sociais mínimos.

Que a especulação imobiliária cresce por causa dos refugiados.

❌ Tudo mentira.

Mentiras repetidas tantas vezes que já se tornaram “impressões”.

E é dessas “impressões” que nasce o ódio. E desse ódio, nasce o racismo, a xenofobia, o fascismo.

Não é um fenómeno novo.

Na Europa dos anos 30, também se usou a crise económica para culpar os judeus, os ciganos, os estrangeiros, os pobres.

E todos sabemos onde isso levou.

Hoje, em Portugal, fazem-se vídeos virais com falsidades sobre subsídios.

Publicam-se textos inflamados que colocam “portugueses bons” contra “estrangeiros abusadores”.

Mas no fim, quem lucra com esse ódio são sempre os mesmos: os que querem que o povo se distraia a lutar entre si, para que nunca lute contra a injustiça real.

📌 A verdade é esta:

▪️ A culpa dos salários baixos é de quem congela aumentos e desvaloriza o trabalho.

▪️ A culpa da crise na habitação é de quem permite a especulação e deixa famílias sem teto.

▪️ A culpa da pobreza é de um sistema que pune a fragilidade em vez de a proteger.

E é precisamente por isso que devemos estar juntos, não divididos.

Porque a solução para a injustiça não é culpar os mais vulneráveis — é construir uma sociedade mais justa para todos.

Tal como os nossos emigraram à procura de dignidade, também os que hoje chegam a Portugal merecem respeito.

Tal como os nossos foram maltratados em França, no Luxemburgo, na Suíça, não repitamos agora a mesma violência.

✊ Portugal tem memória.

E a memória é também uma forma de resistência.

Manuela Ralha 

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