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A mostrar mensagens de março, 2026

Diálogos sobre a Vulnerabilidade - V ANDAMENTO — BIOÉTICA - Proteger sem despolitizar -INTERLÚDIO V

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  Legenda da Imagem:   Composição simbólica em estrutura circular, dedicada ao V Andamento — Bioética, reunindo cenas de cuidado, fragilidade, decisão e intervenção em contextos de desigualdade. No centro, um núcleo luminoso com figuras humanas sugere responsabilidade partilhada e espaço ético comum; em redor, surgem imagens de vulnerabilidade plural, relação clínica, velhice, deficiência, precariedade social e ação comunitária. A paleta em sépias, âmbar e cobre mantém a continuidade estética do ciclo e traduz a passagem da análise da vulnerabilidade para a exigência de cuidado, justiça e proteção não neutralizadora. Ambiente Sonoro: V andamento da Sinfonia n.º 3 de Gustav Mahler - Lustig im Tempo und keck im Ausdruck [Alegre no andamento e ousado na expressão]. Recomenda-se a sua audição como ambiente sonoro do V Andamento — Bioética. A sua tonalidade mais clara, atravessada por vozes que emergem após a gravidade anterior, espelha a passagem da consciência do risco para...

Diálogos sobre a Vulnerabilidade - IV ANDAMENTO -RISCO / CATÁSTROFE - 21 — As catástrofes que nivelam — e o preço que cobram

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  Legenda da Imagem:   Composição simbólica em estrutura circular, com uma balança sombria erguida sobre um crânio e atravessada por uma espada, no centro de um cenário de ruína histórica. Em redor, surgem cidades destruídas, multidões em sofrimento, colapso social, violência extrema e figuras humanas reduzidas à vulnerabilidade perante a devastação. A paleta em sépias, ferrugem e laranja queimado inscreve a imagem numa estética apocalíptica coerente com o IV Andamento, traduzindo visualmente a tese de Walter Scheidel: as grandes reduções da desigualdade ocorreram muitas vezes não por justiça deliberada, mas por catástrofe, guerra e destruição. Ambiente Sonoro: IV andamento da Sinfonia nº 3 em Ré menor de Gustav Mahler - Sehr langsam — Misterioso — "O Mensch! Gib Acht!" [Muito Lento — Misterioso — "Oh, Humano! Presta Atenção!"]. É um andamento vocal que apresenta uma contralto solista cantando a "Canção da Meia-Noite" ("O Mensch! Gib Acht!"...

Diálogos sobre a Vulnerabilidade - IV ANDAMENTO -RISCO / CATÁSTROFE -20 — Expulsões e zonas de sacrifício

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  Legenda da Imagem :   Composição simbólica centrada num planeta incandescente e fissurado, rodeado por cenas de expulsão, devastação territorial e abandono: deslocações forçadas, paisagens industriais degradadas, territórios contaminados, campos de ruína e figuras humanas reduzidas à condição de excedente. A estrutura circular sugere que a violência da globalização não é marginal nem acidental, mas sistémica. Em tons de sépia, ferrugem e âmbar sombrio, a imagem traduz visualmente a lógica das expulsões e das zonas de sacrifício como formas extremas de vulnerabilidade contemporânea. Ambiente Sonoro: IV andamento da Sinfonia nº 3 em Ré menor de Gustav Mahler - Sehr langsam — Misterioso — "O Mensch! Gib Acht!" [Muito Lento — Misterioso — "Oh, Humano! Presta Atenção!"]. É um andamento vocal que apresenta uma contralto solista cantando a "Canção da Meia-Noite" ("O Mensch! Gib Acht!") do livro Assim Falou Zaratustra de Friedrich Nietzsche. 2...

Diálogos sobre a Vulnerabilidade - IV ANDAMENTO -RISCO / CATÁSTROFE -19 — Viver no tempo das catástrofes

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  Legenda Imagem:   Imagem simbólica de um planeta ferido e fissurado no centro de uma composição circular, rodeado por paisagens de degradação ecológica e social: cidade sob céu ameaçador, águas invadindo habitações precárias, incêndios ao longe, terra ressequida e figuras humanas expostas à vulnerabilidade. A paleta escura, em sépias, ocres e âmbar baço, sugere a catástrofe não como explosão súbita, mas como condição durável — a intrusão de Gaia no tempo humano. Ambiente Sonoro: IV andamento da Sinfonia nº 3 em Ré menor de Gustav Mahler - Sehr langsam — Misterioso — "O Mensch! Gib Acht!" [Muito Lento — Misterioso — "Oh, Humano! Presta Atenção!"]. É um andamento vocal que apresenta uma contralto solista cantando a "Canção da Meia-Noite" ("O Mensch! Gib Acht!") do livro Assim Falou Zaratustra de Friedrich Nietzsche.  19 — Viver no tempo das catástrofes Diálogo com Isabelle Stengers A intrusão de Gaia e a exigência de resistência A cat...

Diálogos sobre a Vulnerabilidade - IV ANDAMENTO -RISCO / CATÁSTROFE -18 — O desastre não é natural

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  Legenda da Imagem:  Ao centro, um mundo em combustão, cercado por territórios onde a fragilidade social se tornou paisagem: encostas instáveis, habitação precária, solos secos, zonas inundáveis, periferias expostas e populações obrigadas a viver junto ao limite. Cada segmento mostra não apenas um perigo físico, mas as condições sociais que o tornam devastador.A imagem acompanha o Ensaio 18 — O desastre não é natural , mostrando que a catástrofe não nasce apenas do fenómeno extremo, mas da desigualdade acumulada, da ausência de proteção e da vulnerabilidade estrutural inscrita nos lugares e nas vidas. Ambiente sonoro:  Sinfonia n.º 3 de Gustav Mahler, IV Andamento 18 — O desastre não é natural Diálogo com Piers Blaikie Perigo físico, fragilidade social Os desastres são frequentemente apresentados como acontecimentos naturais, imprevisíveis e inevitáveis. Terramotos, cheias, secas, deslizamentos de terras ou furacões surgem no discurso público como forças externas, al...

Para além do espelho

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  Legenda da  Imagem:  Um rosto envelhecido ocupa o centro da composição, enquanto à sua volta os espelhos partidos devolvem imagens de juventude e perfeição, numa metáfora visual da tirania da aparência. Ambiente sonoro proposto:  Thomas Newman — “Any Other Name” Para além do espelho A tirania da aparência e o esquecimento da beleza que permanece “Um rosto bonito vai envelhecer e um corpo perfeito vai mudar, mas uma bela alma será sempre uma alma bela.” — Cora Coralina Vivemos numa época que se proclama livre, plural e emancipadora, mas que continua a exercer sobre os corpos uma vigilância feroz. Nunca se falou tanto de autenticidade, de autoestima e de amor-próprio, e nunca, ao mesmo tempo, se impuseram com tanta força padrões tão estreitos do que deve ser um corpo belo, desejável, saudável e socialmente aceitável. Há, neste paradoxo, um dos traços mais inquietantes do nosso tempo: a promessa de liberdade convive com uma no...

25 de Março: lembrar as vítimas da escravatura, reconhecer as novas formas de escravidão

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  Legenda da imagem:  Braço erguido a sair da água, com o punho fechado em sinal de força e resistência. No pulso, vê-se uma algema partida, com a corrente quebrada. A água agitada à volta reforça a ideia de luta, libertação e sobrevivência. Ambiente Sonoro recomendado para acompanhar a leitura :   Dry Your Tears, Afrika (Amistad/Soundtrack Version)   de John Williams 25 de Março: lembrar as vítimas da escravatura, reconhecer as novas formas de escravidão Assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Comércio Transatlântico de Escravos não é apenas revisitar um passado doloroso. É, também, aceitar uma verdade difícil: a escravatura não pertence apenas à História. Mudaram os nomes, mudaram os métodos, mudaram as rotas — mas a exploração extrema de seres humanos continua entre nós. O dia 25 de Março foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, através da Resolução 62/122, adoptada em 17 de Dezembro de 2007, para prese...

Diálogos sobre a Vulnerabilidade - IV ANDAMENTO -RISCO / CATÁSTROFE - 17 — Justiça ambiental: quando o risco escolhe territórios

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  Legenda da Imagem:   Ao centro, um mundo dividido entre zonas protegidas e territórios sacrificados. Em redor, fábricas poluentes, barris tóxicos, condutas de resíduos, bairros fragilizados, cercas, sinais de propriedade e populações expostas revelam uma geografia desigual do risco. A composição mostra que a degradação ambiental não se distribui ao acaso: concentra-se onde a capacidade de resistência é menor e onde o poder decide que certos lugares podem suportar o dano.  A imagem traduz visualmente a justiça ambiental como denúncia da desigualdade territorializada: um mundo em que o desenvolvimento protege alguns espaços e vulnerabiliza outros, transformando o lugar onde se vive num fator decisivo de exposição ao perigo, à doença e à perda de dignidade. 17 — Justiça ambiental: quando o risco escolhe territórios Diálogo com Henri Acselrad Exposição desigual, território e poder Ambiente sonoro: Sinfonia n.º 3 de Mahler, IV Andamento  Os riscos da modernida...

Diálogos sobre a Vulnerabilidade - IV ANDAMENTO -RISCO / CATÁSTROFE - 16 — Risco fabricado e modernidade reflexiva

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  Legenda da Imagem:  Ao centro, um globo luminoso e interligado, envolto por sinais de alerta, dispositivos de vigilância, gráficos de instabilidade, infraestruturas industriais e espaços de decisão. À sua volta, surgem laboratórios, sistemas técnicos, ecrãs de monitorização, fluxos de informação e agentes institucionais, compondo um cenário onde o risco não aparece como acidente isolado, mas como resultado de uma modernidade altamente tecnológica, abstrata e permanentemente em gestão de si própria. A imagem visualiza a modernidade reflexiva descrita por Anthony Giddens: um mundo em que a confiança depende de sistemas que escapam à experiência comum, a decisão se exerce sob incerteza e a vulnerabilidade emerge da distância entre o poder de agir, a capacidade de prever e a possibilidade de responsabilizar. 16 — Risco fabricado e modernidade reflexiva Diálogo com Anthony Giddens Tecnologia, incerteza e governação do risco Ambiente sonoro: Sinfonia n.º 3 de Gustav Mahler, ...

Diálogos sobre a Vulnerabilidade - IV ANDAMENTO -RISCO / CATÁSTROFE - 15 — A modernidade que fabrica riscos

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Legenda da Imagem:   Ao centro, um planeta em combustão, rodeado por fragmentos de um mundo em crise: centrais industriais, laboratórios, contaminação tóxica, colapso financeiro, vigilância armada e devastação ambiental. A composição circular reúne diferentes formas de ameaça produzidas pela própria modernidade, sugerindo que o risco já não é um acontecimento isolado, mas uma condição disseminada.  A imagem visualiza um mundo onde o progresso técnico, económico e científico deixou de ser apenas promessa de segurança para se tornar também fonte de instabilidade, perigo e vulnerabilidade global.  Ambiente sonoro:  Sinfonia n.º 3 de Gustav Mahler, IV Andamento  15 — A modernidade que fabrica riscos Diálogo com Ulrich Beck Riscos globais, invisíveis e irreversíveis A modernidade construiu-se sobre a promessa de segurança. O domínio da natureza, o progresso técnico e a racionalização das decisões políticas e económicas apresentaram-se como caminhos para a r...

Diálogos sobre a Vulnerabilidade - IV ANDAMENTO -RISCO / CATÁSTROFE - INTERLÚDIO IV — Quando o mundo se torna instável

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Legenda da Imagem:  No centro, uma massa incandescente — não apenas o mundo, mas um mundo em combustão — irradia fragmentos de realidade onde o risco deixou de ser acidente e passou a ser estrutura. À sua volta, territórios feridos: cidades industrializadas que produzem perigo, tempestades que já não são apenas naturais, multidões deslocadas, corpos expostos, paisagens degradadas. Cada segmento não representa um evento isolado, mas uma expressão da mesma condição: a fabricação contínua da vulnerabilidade. A circularidade da composição sugere aquilo que o interlúdio revela — não há exterior ao risco. O perigo não vem de fora; emerge do próprio modo como organizamos o mundo. A catástrofe não irrompe; instala-se. E distribui-se de forma desigual. No centro, onde tudo converge, não está a origem do desastre, mas a sua lógica: um sistema que produz, acumula e redistribui dano. À sua volta, os rostos e os territórios onde esse dano se torna visível. Esta imagem acompanha o Interlúdio IV ...