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A mostrar mensagens de abril, 2026

No Enxame, de Byung-Chul Han

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  No Enxame , de Byung-Chul Han Quando a ligação já não faz comunidade Ambiente sonoro sugerido Alva Noto & Ryuichi Sakamoto — Insen Ouvir aqui Este ambiente sonoro acompanha a leitura de No Enxame como uma paisagem de sinais, pulsações e silêncios interrompidos. O piano de Ryuichi Sakamoto introduz uma presença humana frágil, quase suspensa, enquanto a eletrónica minimalista de Alva Noto convoca o ruído frio da comunicação digital, a repetição dos dados, a vibração impessoal das redes e a solidão que pode persistir mesmo no interior da hiperconexão. Ontem trouxe-vos Não-Coisas , de Byung-Chul Han, uma obra em que o autor pensa a perda de densidade do mundo, a substituição das coisas pelos dados, dos objetos pela informação, da presença pela disponibilidade digital. Hoje trago-vos No Enxame , publicado em Portugal pela Relógio D’Água, numa edição de outubro de 2016, com t...

Não-Coisas Entre a dissolução do mundo e a leveza inquieta da informação

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  Ambiente sonoro Ryuichi Sakamoto — async Ouvir no YouTube Um álbum feito de fragmentos, pausas e respirações mínimas. async não organiza o tempo — expõe-no. Cada som surge como vestígio, como presença frágil que se anuncia e se retira. Mais do que acompanhar a leitura, cria um espaço de escuta onde o mundo abranda, permitindo perceber aquilo que, no excesso de informação, tende a desaparecer: a duração, o silêncio, a espessura do real. Começa-se por um gesto simples, quase imperceptível: pousar o telemóvel sobre a mesa. O objecto permanece ali, presente, mas a sua presença não coincide com a das coisas que outrora organizavam o mundo. Não pesa como um livro lido e relido, não guarda marcas de uso que o tempo inscreve, não devolve o passado sob a forma de memória habitada. Está ligado a um fluxo. Vibra, acende, chama. Não é apenas um objecto: é uma passagem. É a partir desta deslocação subtil — do objecto para o fluxo — que Não-Coisas , de Byung-Chul Han, constrói uma das...

Cartografias da Responsabilidade - Prólogo - Depois de saber, já não é possível fingir.

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  Legenda da imagem Imagem de abertura do ciclo de ensaios Cartografias da Responsabilidade : sobre uma superfície cartográfica antiga cruzam-se linhas, anotações, documentos, marcas de registo e uma bússola colocada no centro da composição. A imagem convoca um território de escolha, orientação, omissão, cuidado e vigilância, traduzindo visualmente a dimensão ética e reflexiva que estrutura este percurso ensaístico. Ambiente sonoro A proposta de ambiente sonoro para este texto é a Sinfonia n.º 6 (“Trágica”) , de Gustav Mahler. A sua escuta acompanha este ciclo de ensaios não como ilustração ou fundo musical, mas como estrutura de tensão, densidade e respiração interior. Escolhida pela recusa de uma reconciliação fácil, pela forma como sustenta a experiência do limite e pela maneira como expõe fragilidade, rutura e insistência sem consolo nem redenção, esta obra oferece o horizonte sonoro mais próximo da exigência ética que atravessa Cartografias da Responsabilidade . No co...

O silêncio como forma de resistência na sociedade atual

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  Ambiente sonoro sugerido para acompanhar a leitura Para acompanhar a leitura de Silêncio na Era do Ruído , sugiro Island Songs , de Ólafur Arnalds , compositor islandês cuja música minimalista combina de forma muito natural com a atmosfera da obra de Erling Kagge. As composições de Arnalds, marcadas pelo piano, pelas cordas e por uma delicadeza quase suspensa, criam um ambiente de recolhimento sem se sobreporem ao pensamento. Há nelas uma sensação de paisagem ampla, de pausa e de escuta, que dialoga bem com a ideia de silêncio interior presente no livro. A sugestão é começar a leitura com um minuto de silêncio absoluto . Sem música, sem notificações, sem interrupções. Apenas silêncio. Depois desse minuto inicial, pode deixar-se Island Songs a tocar num volume muito baixo, quase impercetível, como se fosse uma respiração da própria obra musical. O objetivo não é preencher o silêncio, mas acompanhá-lo. A música deve funcionar como uma presença discreta, um fundo sonoro l...

Cartografias da Responsabilidade - Ciclo de ensaios

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  Legenda da imagem Imagem de abertura do ciclo de ensaios Cartografias da Responsabilidade : sobre uma superfície cartográfica antiga cruzam-se linhas, anotações, documentos, marcas de registo e uma bússola colocada no centro da composição. A imagem convoca um território de escolha, orientação, omissão, cuidado e vigilância, traduzindo visualmente a dimensão ética e reflexiva que estrutura este percurso ensaístico. Cartografias da Responsabilidade Ciclo de ensaios Este espaço reúne o ciclo de ensaios Cartografias da Responsabilidade , concebido como continuidade do percurso iniciado em Diálogos sobre a Vulnerabilidade . Se esse trabalho anterior procurava abrir um campo de reflexão em torno da fragilidade constitutiva do humano, este ciclo desloca a interrogação para aquilo que essa condição exige de nós: a resposta, a implicação, o cuidado, o limite e o peso do agir. Cartografias da Responsabilidade nasce do ponto em que a inocência já não é possível. Do ponto em que s...

Manifesto de abertura do ciclo de ensaios Cartografias da Responsabilidade

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  Legenda da imagem Imagem de abertura do ciclo de ensaios Cartografias da Responsabilidade : sobre uma superfície cartográfica antiga cruzam-se linhas, anotações, documentos, marcas de registo e uma bússola colocada no centro da composição. A imagem convoca um território de escolha, orientação, omissão, cuidado e vigilância, traduzindo visualmente a dimensão ética e reflexiva que estrutura este percurso ensaístico. Manifesto de abertura do ciclo de ensaios Cartografias da Responsabilidade Depois de Diálogos sobre a Vulnerabilidade , já não era possível permanecer apenas no reconhecimento da fragilidade humana, da exposição ao outro, da dependência, do limite e da finitude. Esse percurso não conduziu a um encerramento; abriu, pelo contrário, uma exigência nova. Porque reconhecer a vulnerabilidade como condição humana não basta. Chega um ponto em que a consciência deixa de poder deter-se na descrição e se vê obrigada a avançar para a pergunta mais difícil: como responder? ...

O que ainda pedimos a Abril

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  O que ainda pedimos a Abril Legenda da imagem — Entre a sombra da passagem e a praça aberta, os cravos dispersos e os papéis no chão lembram que Abril não vive apenas na memória celebrada, mas na vigilância que o presente exige. Imagem de uma democracia habitada e frágil, que continua a pedir lucidez, resistência e defesa. “Há sempre alguém que resiste há sempre alguém que diz não” — Manuel Alegre Ambiente sonoro Eurico Carrapatoso — Dize Sim Para acompanhar esta quinta crónica, mantém-se Dize Sim , de Eurico Carrapatoso, como ambiente sonoro do ciclo Abril Ainda . A sua gravidade interior e a sua tensão contida acompanham bem o fecho desta série: Abril como exigência viva, vigilância democrática e recusa da erosão da liberdade, da memória e da dignidade cívica. Ouvir Abril não ficou onde o colocam as cerimónias. Ficou onde a democracia falha, onde a desigualdade resiste, onde a liberdade ainda precisa de defesa. É isso que fa...

Mulheres, liberdade e o país por cumprir

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  Mulheres, liberdade e o país por cumprir Legenda da imagem — Entre a sombra da passagem e a praça aberta, a liberdade das mulheres inscreve-se no espaço comum como presença, voz e caminho ainda por cumprir. Os cravos no chão e os papéis dispersos lembram que a democracia só se torna inteira quando a igualdade deixa de ser promessa e passa a habitar a vida concreta. “ela é também mulher-asa, mulher-força, mulher-chama” — Ary dos Santos, “Mulher” Ambiente sonoro Eurico Carrapatoso — Dize Sim Para acompanhar esta quarta crónica, mantém-se Dize Sim , de Eurico Carrapatoso, como ambiente sonoro do ciclo Abril Ainda . A sua densidade interior e a sua gravidade contida acompanham bem o centro deste texto: a liberdade das mulheres como uma das medidas mais exigentes da democracia e como parte ainda inacabada do país que Abril abriu. Ouvir Durante demasiado tempo, a liberdade teve em Portugal uma gramática incompleta. Falava-se do país, d...

O difícil ofício de viver em democracia

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  O difícil ofício de viver em democracia Legenda da imagem — Entre a sombra da passagem e a luz da praça, a democracia revela-se no seu trabalho discreto e humano: pessoas reunidas, vozes em presença, diferenças que coexistem no espaço comum. Imagem de uma liberdade que não se esgota no voto, mas se cumpre no difícil ofício de viver juntos. “Meu canto se renova / E recomeço a busca / De um país liberto / De uma vida limpa / E de um tempo justo” — Sophia de Mello Breyner Andresen, “Esta Gente” Ambiente sonoro Eurico Carrapatoso — Dize Sim Para acompanhar esta terceira crónica, mantém-se Dize Sim , de Eurico Carrapatoso, como ambiente sonoro do ciclo Abril Ainda . A sua gravidade contida e a sua respiração interior acompanham bem a ideia central deste texto: a democracia como prática exigente, disciplina do convívio e aprendizagem nunca concluída da vida em comum. Ouvir A democracia é mais trabalhosa do que por vezes gostaríamos de admitir. ...

A palavra sem medo

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  A palavra sem medo Legenda da imagem — Entre a sombra do silêncio imposto e a praça aberta da vida comum, a palavra reencontra o seu lugar: folhas dispersas, voz erguida e espaço público como imagem de uma liberdade que só se cumpre quando pode dizer, pensar e dissentir sem medo. “Que o poema seja microfone” — Manuel Alegre, “Poemarma” Ambiente sonoro Eurico Carrapatoso — Dize Sim Para acompanhar esta segunda crónica, mantém-se Dize Sim , de Eurico Carrapatoso, como ambiente sonoro do ciclo Abril Ainda . A sua intensidade contida e a sua gravidade interior dialogam com o centro deste texto: a palavra livre, a dignidade da voz pública e a liberdade de expressão como conquista que continua a exigir cuidado, lucidez e responsabilidade. Ouvir Uma ditadura começa sempre por estreitar a linguagem. Nem sempre precisa de a calar de forma absoluta. Basta vigiá-la. Basta ensinar cada frase a medir o risco de existir. Basta habituar as pessoas à p...

Abril não terminou

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  Abril não terminou Legenda da imagem — Entre a sombra do que foi e a claridade do que ainda importa defender, a praça permanece aberta: imagem de um Abril que não terminou, porque a liberdade, a democracia e o cuidado do comum continuam a pedir presença, responsabilidade e vigilância. “Onde emergimos da noite e do silêncio” — Sophia de Mello Breyner Andresen, “25 de Abril” Ambiente sonoro Eurico Carrapatoso — Dize Sim Para acompanhar esta primeira crónica, mantém-se Dize Sim , de Eurico Carrapatoso, como ambiente sonoro do ciclo Abril Ainda . A sua respiração contida e grave dialoga com a ideia central deste texto: Abril não como memória encerrada, mas como exigência viva, responsabilidade democrática e liberdade ainda por cumprir. Ouvir Abril não ficou no instante em que um regime caiu. Ficou na pergunta que desde então nos acompanha: o que fazemos com a liberdade quando ela deixa de ser promessa e passa a ser responsabilidade? É es...

Abril Ainda

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                  Abril Ainda Cinco crónicas sobre liberdade, democracia, palavra pública e o país que Abril continua a exigir Legenda da imagem — Uma passagem entre a sombra e a luz: imagem de um Abril que não ficou encerrado na memória, mas continua a abrir caminho na liberdade, na palavra e na vida democrática. Ambiente sonoro do ciclo Eurico Carrapatoso — Dize Sim Para acompanhar Abril Ainda , escolhe-se Dize Sim , de Eurico Carrapatoso. A peça cria uma atmosfera de intensidade contida, gravidade e respiração interior que dialoga com o espírito destas crónicas. Mais do que ilustrar Abril, acompanha-o como permanência: na memória, na consciência e na exigência de continuar a dizer sim à liberdade, à dignidade e à vida democrática. Ouvir Sobre o ciclo O 25 de Abril permanece como uma das datas decisivas da história portuguesa contemporânea. Não apenas pelo que tornou possível em 1974, mas pelo modo com...

Diálogos sobre a Vulnerabilidade — Um Percurso de Leitura

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Legenda imagem: Esta imagem representa a arquitetura do ciclo: seis andamentos — corpo, desigualdade, populações vulnerabilizadas, risco/catástrofe, bioética e vulnerabilidade — que convergem num epílogo comum: a responsabilidade. Não como conclusão confortável, mas como exigência ética.  Diálogos sobre a Vulnerabilidade A vulnerabilidade não é apenas humana. É também social, territorial e política. E em Portugal, como em qualquer lugar, ela responde às escolhas que fazemos — ou evitamos fazer. Este ciclo propõe um espaço de leitura, escuta e reflexão crítica, onde pensar a vulnerabilidade é assumir a responsabilidade de não a tratar como inevitável. Sinfonia n.º 3, de Gustav Mahler. A produção social da vulnerabilidade Proteger sem despolitizar Ao longo deste percurso, a vulnerabilidade é interrogada como condição humana, mas também como realidade socialmente produzida, politicamente agravada e territorialmente distribuída. Não se trata apenas de reconhecer a fragilidade que atra...