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A mostrar mensagens de dezembro, 2025

A última noite - Crónica

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  A última noite Ambiente sonoro sugerido: Rosalía — Memoria Escutar aqui Um canto baixo para o que não quer ser esquecido. A última noite do ano chega sem alarde. Traz consigo o peso suave do que termina e a fragilidade do que ainda não começou. As ruas abrandam. As casas recolhem-se. Algumas mantêm uma luz acesa, discreta, como um gesto de resistência. Outras permanecem mergulhadas na escuridão — janelas fechadas, divisões vazias, silêncios que ninguém nomeia. Há casas onde a noite é apenas noite. Há outras onde o desespero se senta à mesa e não faz ruído. Nesta noite, o mundo não é igual para todos. Nunca foi. Enquanto uns contam os segundos até à meia-noite, outros contam ausências. Há quem espere o novo ano com brindes e risos, e há quem apenas espere que a noite passe. Em muitas casas de luz apagada, a esperança não se anuncia — sobrevive, em estado mínimo, quase invisível. O ano que termina deixou marcas profundas. Deixou corpos cansados, corações em vigíl...

A corda esticada - Crónica

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  A corda esticada Ambiente sonoro sugerido: Gustav Mahler — Adagietto (Sinfonia n.º 5) Escutar: Abrir escuta Há um país que se levanta cedo, que cumpre, que sobrevive. Há um país de números, gráficos e coeficientes. E depois há o outro: o país real. O país das crianças que vão para a escola com fome, dos idosos que contam moedas no fim do mês, das mães sós que fazem malabarismos com salários mínimos. Entre um e outro país, há uma corda esticada sobre um abismo. É nela que vive Portugal. Em 2024, Portugal parecia respirar. As cicatrizes da pandemia começavam a fechar, o desemprego registava mínimos históricos e os dados económicos alimentavam o discurso de retoma. O crescimento do PIB era elogiado em Bruxelas e a disciplina orçamental celebrada como um feito nacional. Mas por baixo dessa superfície, persistia uma fratura funda — e o estudo Portugal Desigual , p...

O mundo comum em risco: recensão crítica de A Condição Humana, de Hannah Arendt

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  O mundo comum em risco: recensão crítica de A Condição Humana , de Hannah Arendt Ambiente sonoro: Dmitri Shostakovich — Quarteto de Cordas n.º 8, Op. 110 Ouvir no YouTube  Porquê este ambiente sonoro: Dmitri Shostakovich, contemporâneo de Hannah Arendt, compôs sob a pressão direta de um regime totalitário. O Quarteto de Cordas n.º 8 é uma obra de luto, memória e resistência silenciosa. Tal como A Condição Humana , esta música não procura efeito nem conforto: cria um espaço ético de escuta, onde o peso da história e a persistência do humano se tornam audíveis sem palavras. A Condição Humana é um dos livros mais decisivos de Hannah Arendt — e um dos mais incómodos. Não porque seja pessimista, mas porque obriga a reconhecer, sem atalhos, o modo como a modernidade estreitou o sentido da política. Arendt escreve contra a redução da política à gestão, à eficiência e à lógica da necessidade. O gesto central da obra é a distinção entre trabalho , obra e aç...

Análise Crítica de Desistir, de Adam Phillips

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Análise Crítica de Desistir , de Adam Phillips Um ensaio sobre liberdade, desejo e a arte de abdicar 🎧 Sugestão sonora para acompanhar a leitura: Gustav Mahler – Sinfonia n.º 9, IV. Adagio Ouvir aqui (Berliner Philharmoniker) Esta música é uma despedida sem dramatismo. Uma aceitação serena da impermanência, da incompletude e daquilo que é deixado por dizer — tal como Phillips propõe com a sua ética da desistência. O Adagio final da Nona Sinfonia de Mahler não termina: dissolve-se. E é nesse desaparecer que encontramos o espaço da escuta, da interioridade e da liberdade. No seu livro Desistir (Edições 70, 2023), o psicanalista britânico Adam Phillips oferece-nos uma meditação subtil e provocadora sobre um dos verbos mais subestimados do léxico moderno: desistir . Num mundo que cultiva a persistência, a produtividade e a realização pessoal como imperativos morais, Phillips propõe um contracorrente: a possibilidade de recusar, abdicar, interromper — não como sinais de fracasso...

Não há estátuas para os democratas porque a democracia não se imobiliza - Artigo de opinião

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  Não há estátuas para os democratas porque a democracia não se imobiliza Sobre o tempo, a fragilidade e a responsabilidade democrática Ambiente sonoro sugerido: Gustav Mahler — Adagietto (Sinfonia n.º 5) Escuta: Abrir escuta Porquê este ambiente sonoro? O Adagietto de Mahler não é triunfal nem épico. É contido, tenso, profundamente humano. Avança sem pressa, sustentado por fragilidade e rigor. Tal como a democracia, não impõe — constrói. Não grita — persiste. A música cria um espaço de escuta interior, indispensável para pensar o tempo democrático: um tempo que não é de glória, mas de responsabilidade. A afirmação de Lídia Jorge de que a democracia não cria heróis obriga-nos a deslocar o olhar: do feito excecional para o processo, do pedestal para o exercício quotidiano do poder partilhado. Não há estátuas para os democratas porque a democracia não é uma narrativa de exceção. É uma ética da normalida...

Entre o que foi e o que vem

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  Entre o que foi e o que vem Ambiente sonoro Gustav Mahler — Sinfonia n.º 3, VI andamento (Adagio) Ouvir (abre numa nova janela) Escolhi Mahler porque esta música sabe fazer aquilo que este texto tenta dizer sem alarde: atravessar a dor sem a negar, e chegar a uma forma de paz que não é “felicidade de postal”, mas reconciliação possível. O Adagio final da Terceira Sinfonia tem tempo — um tempo interior, amplo, paciente — e por isso combina com a ideia de limiar: o instante em que o ano ainda não começou, mas já se pressente. É uma música que carrega gravidade e humanidade ao mesmo tempo: fala do íntimo, mas abre-se ao coletivo, como se lembrasse que a esperança também é responsabilidade e que o recomeço não é euforia — é decisão. Houve anos que doeram. Dois anos longos, atravessados por perdas, por decisões difíceis, por responsabilidades que se carregam mesmo quando o coração vacila. Anos em que a vida pessoal e a vida pública se tocaram na sua parte mai...

E foi Natal.

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  E foi Natal. Não o Natal das montras acesas até à exaustão, das filas apressadas, dos sacos cheios e dos cartões levados ao limite. Não o Natal da contabilidade do que se deu ou do que faltou dar. Esse também aconteceu — como acontece todos os anos — mas passou depressa, como passam as coisas que fazem barulho e deixam pouco rasto. O Natal que ficou foi outro. Ficou a convicção tranquila de que o essencial não se compra. De que o mais importante é a presença. O conforto simples de um abraço familiar. A certeza de que há pessoas que, aconteça o que acontecer, permanecem ao nosso lado. E que família não é, nem nunca foi, apenas uma questão de sangue, mas de cuidado, de escolha, de permanência. Foi Natal no tempo desacelerado. No chão da sala, a construir legos com os netos, peça a peça, sem pressa de acabar. Foi Natal nas histórias contadas e recontadas, nas gargalhadas espontâneas, nas conversas que não precisavam de um motivo especial. Foi Natal a ouvir os mais velhos, com at...

Ciclo Histórias Invisíveis — VII O que nos sustém

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  O que nos sustém Ambiente sonoro: Johann Sebastian Bach — Variações Goldberg Andamento VII — Ária da capo (Glenn Gould, 1981) Escutar Há coisas que só percebemos quando vacilam. Não porque sejam raras, mas porque eram discretas. Estavam tão integradas no dia que pareciam fazer parte do ar. O que nos sustém não é grandioso. Não é teatral. Não entra facilmente na história oficial. É feito de repetição, de manutenção, de cuidado, de trabalho que não se anuncia. É feito de pessoas que chegam antes e saem depois. De gestos que se repetem até perderem nome. De pequenas ações que impedem que a vida se torne hostil. Quando tudo corre bem, chamamos-lhe rotina. E a palavra rotina é uma maneira de diminuir aquilo de que dependemos. Como se a continuidade fosse automática. Como se não tivesse custo. Mas a continuidade tem sempre um custo. E a pergunta nunca é se existe custo — é quem o paga. Um mundo justo não é aquele onde ninguém precisa de cuida...

Ciclo Histórias Invisíveis — VI A falsa tranquilidade

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  A falsa tranquilidade Ambiente sonoro: Johann Sebastian Bach — Variações Goldberg Andamento VI — Variação 25 (Glenn Gould, 1981) Escutar Há dias em que tudo parece normal. E o normal tem uma força hipnótica: alinha os gestos, acalma as perguntas, adia o pensamento. A falsa tranquilidade é isto: a sensação de que o mundo está “a funcionar” apenas porque, naquele instante, não nos está a doer. Porque não tropeçámos. Porque não nos faltou nada. Porque ninguém nos pediu ajuda com urgência. Mas a tranquilidade raramente é um estado do mundo. É, muitas vezes, um acordo silencioso de perceção: aquilo que não nos toca diretamente deixa de existir com intensidade suficiente. O normal é uma narrativa confortável. Diz-nos: não há motivo para interromper. Diz-nos: não exageres. Diz-nos: sempre foi assim. E é aqui que a injustiça prospera com mais elegância: quando se mistura com a rotina, quando se disfarça de hábito, quando se torna quase invisível ...

Ciclo Histórias Invisíveis — V Onde nada se anuncia

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  Onde nada se anuncia Ambiente sonoro: Johann Sebastian Bach — Variações Goldberg Andamento V — Variação 15 (Adagio) (Glenn Gould, 1981) Escutar Há lugares do dia em que não há notícia. Lugares sem clímax, sem frase memorável, sem fotografia que pareça necessária. São zonas de passagem — e por isso mesmo decisivas. É aí que o mundo se mantém. Não no instante em que se celebra, mas no intervalo em que alguém garante que a celebração é possível. Não no palco, mas naquilo que o sustém por baixo. Onde nada se anuncia, alguém prepara. Alguém verifica. Alguém repõe. Alguém limpa. Alguém chega antes da primeira pessoa chegar e sai depois da última ter ido embora. Não há linguagem para isto que não pareça pequena. Porque a linguagem pública aprendeu a crescer para as alturas e a esquecer o chão. Um corrimão apertado. Uma rampa sem obstáculos. Uma sala em condições. Um turno assegurado. A máquina que funciona. O telefone atendido. O autocarro que pa...

Ciclo Histórias Invisíveis — IV Aquilo que o olhar contorna

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  Aquilo que o olhar contorna Ambiente sonoro: Johann Sebastian Bach — Variações Goldberg Andamento IV — Variação 13 ( Glenn Gould , 1981) Escutar Não é verdade que não vejamos. Vemos quase tudo. Mas aprendemos, com o tempo, a não reparar. A invisibilidade não começa na ausência. Começa no hábito. Aquilo que se repete deixa de chamar. Aquilo que funciona deixa de ser interrogado. Aquilo que sustém deixa de ser notado. Não porque seja irrelevante, mas porque se tornou previsível. Desde cedo somos educados para olhar em frente: para o que avança, para o que cresce, para o que aparece. O fundo da cena — aquilo que mantém o cenário de pé — é tratado como paisagem . E a paisagem não exige explicação. O quotidiano é um poderoso anestésico moral . Normaliza. Suaviza. Torna aceitável aquilo que, visto de perto, seria intolerável. Não por maldade, mas por adaptação. O mundo ensina-nos a não ver para que possamos continuar a funcionar. Há um tipo de...

Ciclo Histórias Invisíveis — III Aprender a ficar

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  Aprender a ficar Ambiente sonoro: Johann Sebastian Bach — Variações Goldberg Andamento III — Variação 7 (Glenn Gould, 1981) Escutar Há um equívoco persistente na forma como olhamos para o mundo: confunde-se importância com exceção, valor com visibilidade, sentido com impacto imediato. Aprendemos a prestar atenção ao que irrompe, ao que interrompe, ao que se impõe. Tudo o resto — o que sustém, o que mantém, o que evita a queda — passa a ser tratado como pano de fundo. Mas o pano de fundo não é neutro. É trabalhado. Aquilo que parece leve foi tornado leve. Aquilo que parece simples foi simplificado à força. Aquilo que parece natural foi cuidadosamente mantido por mãos que não entram na narrativa. Aprender a ficar é contrariar esse movimento. É permanecer onde o olhar costuma passar depressa. É recusar a pressa como forma de verdade. É devolver espessura ao gesto repetido. Não se trata de tornar o invisível bonito. O invisível não precisa de redenção...

Ciclo Histórias Invisíveis - II O quase nada

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O quase nada Ambiente sonoro: Johann Sebastian Bach — Variações Goldberg Andamento II — Variação 1 (Glenn Gould, 1981) Escutar A vida não se sustém em acontecimentos. Sustém-se em continuidades tão discretas que quase não deixam rasto. Um gesto repetido. Um horário cumprido. Um chão limpo. Uma palavra dita a tempo. Um corpo amparado antes de cair. Nada disto parece decisivo. E, no entanto, é tudo. Chamamos-lhes quase nada porque não sabemos onde os colocar. Não são feitos históricos. Não são escolhas grandiosas. Não são momentos de viragem. São aquilo que acontece quando nada acontece. E é precisamente aí que a vida se mantém possível. O mundo contemporâneo foi treinado para reconhecer apenas o que interrompe. O que quebra. O que irrompe. Mas a existência humana constrói-se noutra cadência: na repetição silenciosa, na manutenção, na atenção constante ao que pode falhar. O problema é que aquilo que não interrompe não parece merecer pensamento. ...

Ciclo Histórias Invisíveis — I Aqueles que permanecem

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  Aqueles que permanecem Ambiente sonoro: Johann Sebastian Bach — Variações Goldberg Andamento I — Ária (Glenn Gould, 1981) Escutar Os que ficam raramente são chamados pelo nome. São chamados quando falham. Quando o autocarro não passa. Quando a escola não abre. Quando o hospital atrasa. Quando a casa não está limpa. Quando a roupa não está pronta. Quando o corpo dependente já não aguenta. Enquanto tudo funciona, permanecem invisíveis. Quando algo corre mal, tornam-se subitamente assunto público. Os cuidadores informais não aparecem nas estatísticas do sucesso. Aparecem no cansaço acumulado, nas noites sem sono, nos corpos curvados sobre outros corpos. Cuidam sem contrato, sem horário, sem descanso. Sustentam a vida onde o Estado chega tarde ou não chega de TODO. Chamam-lhes amor. Chamam-lhes obrigação familiar. Raramente lhes chamam trabalho. Mas é trabalho. E é dos mais duros. As auxiliares de lar conhecem os ritmos da fragilidade. Sabem quando o corp...

Ciclo Histórias Invisíveis

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  Histórias Invisíveis Ambiente sonoro do ciclo: Johann Sebastian Bach — Variações Goldberg Gravação de Glenn Gould (1981) Uma obra construída a partir da repetição, da variação mínima e da permanência. Escolhida não como ilustração, mas como ambiente: algo que sustém, sem se impor. Este ciclo nasce num tempo em que se multiplicam as palavras sobre cuidado, partilha e comunidade. Um tempo em que as luzes se acendem, os gestos se ritualizam e a ideia de proximidade se torna quase obrigatória. Mas há sempre uma distância entre o que se celebra e o que se sustém. Histórias Invisíveis escreve a partir dessa distância. Não para negar a necessidade do cuidado, mas para perguntar quem o garante quando o discurso se apaga, quando as festas passam, quando o quotidiano regressa ao seu peso habitual. Este não é um ciclo sobre o extraordinário dos dias festivos. É um ciclo sobre aquilo que permanece quando o brilho se recolhe. Porqu...

O Conto do Reino da Palavra Desatada

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  Ambiente sonoro: floresta encantada — conto de fadas Hoje vou contar uma história para dormir. Falem baixo, é um conto simples, com um reino e gente importante. Pode ser que embale. Pode ser que, em vez disso, deixe os olhos bem abertos. O Reino da Palavra Desatada Havia um reino onde se governava sobretudo com palavras. Muitas palavras. Demais, talvez. Eram ditas em salas amplas, com paredes grossas e janelas altas, de onde quase não se via a rua. No Reino acreditava-se firmemente que o mundo era aquilo que se dizia sobre ele. No alto de um castelo confortável reunia-se o Conselho. As cadeiras eram estofadas, a temperatura regulada e o silêncio apenas interrompido pela segurança de quem nunca precisava de interromper a própria vida para ouvir a dos outros. Falavam de educação sem entrar numa escola, de trabalho sem cumprir horários, de saúde sem esperar numa urgência, de segurança olhando mapas limpos, sem fumo nem gent...

Ciclo Ecos das Palavras - Biblioteca Recomendada - 6.Pensamento, Ensaio e Crítica — As Vozes que Pensam o Mundo

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  VI. Pensamento, Ensaio e Crítica — As Vozes que Pensam o Mundo (O lugar onde a literatura encontra a filosofia, a política e a imaginação crítica) Chego agora a outro corredor da Biblioteca do ciclo Ecos das Palavras — talvez o mais silencioso e, por isso mesmo, o mais exigente. O ensaio é uma forma de lucidez. Não explica apenas: interroga. Não conclui: abre caminhos. Nesta secção reúnem-se pensadores que ajudam a ler o mundo — e a pensar o que ainda pode ser transformado. Inclui filosofia, crítica cultural, política, antropologia, sociologia, epistemologias do Sul, neurociência, história, ética e imaginação intelectual. Uma cartografia global do pensamento vivo. Clássicos fundadores do ensaio Michel de Montaigne (França) Obra: Ensaios O pai do género ensaio. Escreve para compreender a vida interior, o corpo, o medo, a amizade, a morte, o humano. Inaugura a escrita reflexiva moderna. Ralph Waldo Emerson (EUA) Obras: Self-Reliance , N...

Ciclo Ecos das Palavras - Biblioteca Recomendada - 5.Literatura Contemporânea Mundial — Vozes que Pensam o Mundo

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  V. Literatura Contemporânea Mundial — Vozes que Pensam o Mundo (Um corredor de inquietação, consciência e resistência) Ao entrar neste corredor da Biblioteca do Ciclo   Ecos das Palavras , deixamos os territórios nacionais e atravessamos fronteiras. O que aqui se reúne não é um cânone fechado, mas um mapa vivo da literatura contemporânea mundial — vozes que pensam o nosso tempo a partir da memória histórica, da crítica política, da experimentação estética e da inquietação ética. São autores e autoras que escreveram — e escrevem — contra o apagamento, a violência, o autoritarismo, a indiferença. Obras que interrogam o mundo tal como ele é, mas também como poderia ser. Todas as obras listadas surgem aqui em título português, sempre que existe tradução disponível. 1. Europa Olga Tokarczuk (Polónia) — Prémio Nobel da Literatura 2018 Os Errantes ; Sobre os Ossos dos Mortos Viagem, deslocamento, ecologia crítica e fron...

Ciclo Ecos das Palavras - Biblioteca Recomendada - 4.África Lusófona — As geografias que completam a língua

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  IV. África Lusófona — As geografias que completam a língua Ao entrar neste corredor da Biblioteca dos Ecos das Palavras , atravessamos geografias onde a língua portuguesa foi ferida, reinventada, apropriada e transformada. A literatura africana lusófona nasce da oralidade, da memória coletiva, da guerra, da violência colonial, do mito e da imaginação comunitária. Aqui, a língua não é herança passiva: é matéria viva, reescrita a partir da experiência, do corpo, da terra e da história. Reúnem-se neste corredor autores e pensadores fundamentais — com obras verificadas — que expandem o português para lá do seu centro histórico e o devolvem múltiplo, mestiço e profundamente humano. A. Prosa Lusófona Contemporânea Mia Couto (Moçambique) Terra Sonâmbula (1992) O Outro Pé da Sereia (2006) Jesusalém (2009) Narrativa profundamente poética que cruza mito, história e trauma da guerra civil. O autor que mais rad...