Ciclo Histórias Invisíveis
Histórias Invisíveis
Ambiente sonoro do ciclo:
Johann Sebastian Bach — Variações Goldberg
Gravação de Glenn Gould (1981)
Uma obra construída a partir da repetição, da variação mínima e da permanência. Escolhida não como ilustração, mas como ambiente: algo que sustém, sem se impor.
Este ciclo nasce num tempo em que se multiplicam as palavras sobre cuidado, partilha e comunidade.
Um tempo em que as luzes se acendem, os gestos se ritualizam e a ideia de proximidade se torna quase obrigatória.
Mas há sempre uma distância entre o que se celebra e o que se sustém.
Histórias Invisíveis escreve a partir dessa distância.
Não para negar a necessidade do cuidado, mas para perguntar quem o garante quando o discurso se apaga, quando as festas passam, quando o quotidiano regressa ao seu peso habitual.
Este não é um ciclo sobre o extraordinário dos dias festivos. É um ciclo sobre aquilo que permanece quando o brilho se recolhe.
Porque a vida continua — e continua apoiada em trabalhos, gestos e pessoas que raramente entram na narrativa da celebração.
Estes textos não pretendem consolar. Pretendem deslocar o olhar.
Lentamente. Como exige tudo o que é essencial.
© Manuela Ralha, 2025

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