Por ocasião do Dia da Diáspora Portuguesa – 10 de julho
No Dia da Diáspora Portuguesa, assinalado no passado dia 10 de julho, homenageamos todos os portugueses que, ao longo do tempo, deixaram o seu país em busca de melhores oportunidades, sem nunca perderem a ligação às suas raízes. Estima-se que mais de 2 milhões de portugueses residam atualmente no estrangeiro, e que a população de origem portuguesa ultrapasse os 5 milhões de pessoas – mais de 40% da população residente em Portugal. Este número revela não apenas a dimensão da diáspora, mas também a força global da nossa identidade.
Neste contexto, não podemos deixar de refletir sobre a realidade atual em Portugal, onde se assiste a um preocupante aumento de discursos de rejeição e intolerância dirigidos aos imigrantes e seus descendentes. Esquecemo-nos, por vezes, que os portugueses também enfrentaram condições duríssimas nos países que os acolheram: viveram em contentores, em habitações precárias, dependeram de apoios sociais, e foram, muitas vezes, vítimas de discriminação. Ainda assim, contribuíram de forma decisiva para o desenvolvimento económico, social e cultural dos territórios onde se fixaram.
Essa mesma realidade aplica-se hoje aos imigrantes que vivem e trabalham em Portugal. São milhares os que todos os dias contribuem para o funcionamento de serviços essenciais, para a sustentabilidade da economia, para a diversidade cultural e para a coesão social. Muitos preenchem funções que de outra forma ficariam por ocupar. São um motor real de desenvolvimento e não meros beneficiários — são agentes ativos de progresso e transformação.
Ignorar este contributo é não só injusto, como profundamente contraditório com a nossa própria história. Acolher quem chega com dignidade, respeito e humanidade é, também, uma forma de honrar todos aqueles que um dia partiram.
Manuela Ralha
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