Noites de Verão
O programa "Noites de Verão", promovido pela Câmara Municipal e organizado por diversas estruturas e associações culturais e sociais, tem sido, ano após ano, um exemplo notável de sucesso na dinamização do espaço público e na democratização do acesso à cultura. Trata-se de uma iniciativa que já conquistou o seu lugar no coração da cidade e no calendário cultural da comunidade, reunindo públicos diversos, promovendo o encontro intergeracional e valorizando o talento local e nacional.
Há que agradecer. Agradecer a todos e todas os que tornam possível este programa. Aos trabalhadores do município e das juntas de freguesia, que asseguram com dedicação a logística e a operacionalidade no terreno. Aos técnicos de som e de luz, cujo trabalho, discreto mas essencial, permite que cada espetáculo aconteça com qualidade e profissionalismo. Aos membros das entidades organizadoras, que com empenho e visão planificam cada momento. Aos artistas, que nos oferecem o seu talento, a sua energia e a sua criatividade. Aos voluntários, cuja entrega e generosidade são exemplo de espírito cívico. E, sobretudo, ao público — porque é para ele e com ele que tudo isto faz sentido. É a sua presença, o seu entusiasmo e a sua participação ativa que dão verdadeira vida a este projeto.
Vivemos num tempo em que o espaço público deve ser mais do que um local de passagem — deve ser um lugar de encontro, de expressão e de partilha. E é precisamente isso que os espetáculos sazonais de verão, ao ar livre e de entrada livre, proporcionam: cultura acessível a todos, independentemente da idade, da origem ou da condição económica.
Há quem veja nestes eventos apenas ruído, transtorno ou incómodo. Mas recusar a existência destes momentos é esquecer que a cidade pertence a todos — e que o direito ao descanso deve coexistir com o direito à fruição cultural.
A cultura não é um luxo reservado a auditórios fechados ou a quem pode pagar bilhete. A cultura, quando verdadeiramente democrática, desce à rua, respira com a cidade, e transforma uma praça num palco, uma rua num poema, e um bairro numa celebração coletiva.
É nestes espetáculos que se cria pertença, que se reforça a identidade local e que se abre espaço à diversidade artística. São iniciativas que combatem o isolamento, dinamizam o comércio local, e sobretudo, reafirmam o valor da cultura como bem público essencial.
Claro que deve haver regras. Claro que deve haver respeito mútuo. Mas não podemos permitir que o medo do incómodo silencie o pulsar da vida urbana. Não é com cidades fechadas, mudas e imóveis que se constroem comunidades coesas, abertas e saudáveis.
Por isso, a quem se opõe a estes momentos de celebração cultural, deixo este apelo: em vez de fechar os ouvidos, abra os olhos. Veja como a cultura aproxima, inspira e transforma. E perceba que, ao permitir que ela habite o espaço público, estamos a construir cidades mais vivas, mais justas e mais humanas.
Manuela Ralha

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