Quando a Diferença Vira Alvo: a Mentira que Alimenta o Ódio
“O ódio aos outros começa sempre por uma mentira sobre quem eles são.”
— Elie Wiesel
A mentira repete-se mais depressa do que a verdade
Vivemos tempos perigosos. Tempos em que a desinformação, alimentada por ignorância e má-fé, alastra como rastilho seco. Multiplicam-se publicações nas redes sociais que insinuam — ou afirmam — que os migrantes vêm para Portugal viver à custa dos subsídios do Estado. Nada mais falso.
Não é possível aceder a apoios sociais em Portugal sem cumprir rigorosos critérios legais, incluindo a regularização da situação documental e contributiva. A ideia de que há um “subsídio fácil” para quem chega de fora não tem qualquer fundamento nos factos nem nos números. É uma falácia que alimenta o ódio, o preconceito e a exclusão.
Mas mais grave do que a mentira, é o que ela provoca. Ao partilhar ou repetir essas falsidades, sem sequer questionar se são verdade, legitima-se o discurso do ódio. E esse discurso tem consequências reais. Caminhamos para um crescendo de violência. Já o vimos no ataque ao ator da Barraca, já o sentimos no comportamento de adeptos extremados de clubes desportivos que procuram bodes expiatórios. A história ensina-nos que as palavras inflamadas antecedem os atos brutais.
Quem só replica o que lê, sem pensar, sem verificar, sem empatia, acaba a ser cúmplice de um país mais dividido, mais intolerante, mais injusto. Alimentar o ódio com base na frustração de vidas pequenas, tristes ou amarguradas, não as tornará maiores nem mais felizes. Apenas mais perigosas.
A diversidade não é ameaça. É riqueza. E a verdade, mesmo que menos sensacional, continua a ser a única base segura para uma convivência decente. Que não nos falte coragem para a defender.
Manuela Ralha
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