Crónica – Dia Internacional da Democracia: a liberdade não se herda, conquista-se todos os dias

Hoje, 15 de setembro, o mundo assinala o Dia Internacional da Democracia, criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2007 para sublinhar que a democracia não é um estado permanente. É um processo frágil e exigente, que só sobrevive quando os cidadãos o alimentam com participação, pensamento crítico e coragem.

Enquanto escrevo, invasões, guerras, genocídios e ditaduras destroem vidas e silenciam povos inteiros. Estes horrores não pertencem apenas a geografias distantes: são o lembrete brutal de que nenhum país está vacinado contra o retrocesso. A história repete-se quando a indiferença se instala, quando os direitos humanos parecem garantidos e deixamos de os proteger.

Winston Churchill resumiu a contradição com ironia: “a democracia é o pior dos regimes, à exceção de todos os outros”. Imperfeita, ruidosa, muitas vezes lenta, ela continua a ser o único regime que devolve o poder às pessoas e limita o abuso de quem governa. É por isso que quem teme a liberdade tenta primeiro descredibilizar o voto, manipular a informação, dividir comunidades e desacreditar as instituições.

Aqui, em Portugal, meio século de democracia não é imunidade. O risco de a perdermos não vem apenas de golpes ou tanques. Vem, sobretudo, de eleições decididas por apatia, por votos dados sem leitura de programas, sem conhecer candidatos, sem refletir sobre as consequências. Vem da tentação de trocar direitos por promessas fáceis, do cansaço que nos leva a acreditar em salvadores de ocasião.

Celebrar este dia é um ato político. É afirmar que o voto é arma e escudo, que a cidadania não se esgota na urna e que a liberdade só resiste quando a defendemos no quotidiano: no debate público, na denúncia da injustiça, na exigência de transparência, na recusa da mentira.

Hoje, somos todos convocados para esta luta sem quartel. Porque a democracia não se herda — conquista-se, protege-se e renova-se, todos os dias. E cada um de nós é responsável por não deixar que a História se repita.

Manuela Ralha



Comentários

  1. Absolutamente de acordo contigo. Deixarmos os outros pensar por nós, é meio caminho para deixarmos de ter voz. É por isso que a Democracia é a base
    de qualquer
    sociedade civilizada e justa, mesmo que imperfeita.

    importante, e precisa de ser alimentada pelos diversos pensamentos, assertivos, directos, racionais e também com certeza emotivos para

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