Artigo de Opinião - Sobre a Liberdade – um clássico para o nosso tempo

Acabei de reler Sobre a Liberdade, de John Stuart Mill, e raras vezes um livro escrito em 1859 me pareceu tão vivo e urgente. Mill recorda-nos que “a liberdade de um indivíduo deve ser limitada apenas para impedir dano a outros” e que tudo o resto, mesmo quando nasce de maiorias ou de boas intenções, é tirania.

A sua mensagem atravessa o tempo: a diversidade de ideias e de modos de vida não é ameaça, é riqueza, é o motor de qualquer progresso coletivo.

Vivemos hoje num século saturado de canais de expressão, mas paradoxalmente marcado por novas formas de medo. De um lado, a chamada tirania do politicamente correto, quando se transforma em dogma, pode sufocar o debate em vez de o qualificar. De outro, persistem as velhas opressões – leis restritivas, desinformação, perseguição a jornalistas, tentativas de silenciar quem pensa diferente.

Mill alertou para este perigo: a opinião pública pode ser tão despótica como um governo autoritário. Quando a curiosidade é trocada por certezas de grupo, quando o diálogo cede lugar à gritaria, a democracia perde o seu oxigénio.

Em tempo de escolhas eleitorais, este livro não é apenas um clássico da filosofia política; é um apelo à cidadania ativa, um convite a cultivar a tolerância, a escuta e a coragem de questionar. Votar é essencial, mas pensar, dialogar e defender o espaço da diferença é o ato verdadeiramente transformador.

Ler Sobre a Liberdade hoje é assumir que a justiça social, a equidade e a dignidade de cada ser humano só florescem quando ousamos proteger a liberdade de todos – mesmo, e sobretudo, daqueles com quem não concordamos.

Atrevem-se a fazer o mesmo?

Manuela Ralha



Comentários

  1. Patrícia Duarte Lavareda14 de setembro de 2025 às 20:55

    O teu apelo lembra-nos que democracia não é só votar, é sobretudo proteger o espaço da diferença, mesmo quando nos custa

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  2. Concordo plenamente e todos os dias deveríamos refletir sobre este tema para lembrar e ou aprender sobre como respeitar a liberdade de cada um.

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  3. É isso mesmo. E não esquecer que a minha liberdade interfere com a do próximo e à que saber respeitar.
    Ass: Paula S.

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  4. Claro que a "Liberdade Responsável" é o pilar das sociedades democráticas.
    Pela parte que me toca, sempre a pratiquei e continuarei a exercê-la, através dos meus atos de cidadania e voluntariado em prol dos outros, respeitando sempre as opiniões divergentes das minhas
    Tento sempre divulgar esse propósito aos meus familiares e amigos.
    Façam o mesmo.
    Manuela Ralha, obrigado por ter trazido este tema.

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© Manuela Ralha