Dia Mundial da Educação — 24 de janeiro de 2026

 


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Whitney Houston — Greatest Love of All
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Uma canção-símbolo que nos lembra que “as crianças são o nosso futuro” e que educar é um ato profundo de cuidado, esperança e responsabilidade coletiva. Investir na educação é acreditar nas pessoas, na dignidade humana e na possibilidade de um mundo mais justo.

“O poder da juventude na co-criação da educação”

O Dia Internacional da Educação, celebrado a 24 de janeiro, foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas para reconhecer a educação como um direito humano fundamental, um bem público e uma responsabilidade pública global. Esta data convida todos os países e sociedades a refletirem sobre a importância da educação — não apenas como um conjunto de conhecimentos académicos, mas como um motor de paz, dignidade, igualdade e desenvolvimento sustentável.

Em 2026, sob o lema “O poder da juventude na co-criação da educação”, as Nações Unidas e a UNESCO destacam o papel decisivo dos jovens — de alunos a estudantes e futuros líderes — na construção de sistemas educativos mais inclusivos, relevantes, resilientes e preparados para os desafios do século XXI. A juventude, que representa mais de metade da população mundial, deve ser reconhecida não apenas como beneficiária, mas como parceira ativa na formulação e implementação de políticas educativas, sobretudo num contexto de rápidas transformações tecnológicas e sociais.

Este apelo internacional é ainda mais pertinente quando consideramos que, em todo o mundo, cerca de 250 milhões de crianças e adolescentes continuam fora da escola e até 763 milhões de adultos permanecem analfabetos — uma violação inaceitável do direito à educação.

Na mensagem para o Dia Internacional da Educação 2026, o secretário-geral da ONU, António Guterres, sublinha que a educação é “um trampolim para maiores oportunidades, dignidade e paz”, alertando para o facto de milhões de crianças e jovens continuarem excluídos devido à pobreza, a conflitos, a deslocações forçadas e a desastres. Guterres apela a governos, parceiros e doadores para que priorizem a educação nas políticas públicas, nos orçamentos e nos esforços de recuperação, defendendo o encerramento das lacunas persistentes no financiamento, no acesso e na qualidade do ensino.

O secretário-geral destaca ainda a necessidade de ouvir as vozes dos jovens e responder às suas reivindicações por professores qualificados, por competências adequadas a um mundo em mudança e por acesso equitativo à tecnologia, reiterando o apelo à construção de sistemas educativos inclusivos, resilientes e inovadores para todos.

Educação em Portugal — progressos e desafios

A situação educacional em Portugal ilustra bem o contraste entre avanços significativos e desafios persistentes. Nos últimos anos, o país registou progressos notáveis, com a diminuição do abandono escolar precoce e o crescimento da participação no ensino superior. Ainda assim, permanecem desafios estruturais que não podem ser ignorados.

  • Uma parte relevante da população adulta continua sem concluir o ensino secundário, o que limita oportunidades e reforça desigualdades.
  • Persistem dificuldades em competências essenciais — como a literacia — com impacto direto na capacidade de acompanhar a mudança tecnológica e de aceder a trabalho digno.
  • Para muitos jovens, o sistema educativo nem sempre garante percursos suficientemente atrativos, flexíveis e relevantes, o que exige resposta pública consistente e continuada.

Importa dizê-lo com clareza: um sistema educativo excessivamente centrado na avaliação padronizada, nos testes e nos exames tende a reduzir a aprendizagem a um exercício de repetição e memorização. Este modelo empobrece o currículo, desvaloriza processos de aprendizagem significativos e penaliza alunos com percursos, ritmos e talentos diversos. Avaliar não pode significar apenas classificar; deve significar acompanhar, compreender e apoiar o desenvolvimento integral de cada aluno.

A educação, para cumprir plenamente a sua função social, deve acompanhar o seu tempo e responder às profundas transformações societais em curso — culturais, tecnológicas, económicas e democráticas. Um currículo desligado da realidade contemporânea corre o risco de formar jovens preparados para exames, mas não para a complexidade do mundo em que vivem.

É neste quadro que o ensino artístico e cultural assume um papel absolutamente central. As artes — música, teatro, dança, artes visuais, escrita criativa — desenvolvem competências essenciais como a criatividade, a sensibilidade, a empatia, o pensamento crítico, a expressão simbólica e o trabalho colaborativo. Desvalorizar o ensino artístico é empobrecer a escola e limitar o acesso dos alunos a formas profundas de conhecimento e de relação com o mundo.

Contudo, esta valorização exige coerência política. As escolas de ensino artístico continuam a enfrentar uma crónica falta de investimento, seja ao nível das infraestruturas, dos equipamentos, dos instrumentos, dos recursos pedagógicos ou da estabilidade e valorização dos seus profissionais. Não é possível exigir excelência, inovação, inclusão e qualidade a um setor sistematicamente subfinanciado.

Investir de forma consistente e estrutural no ensino artístico não é um luxo nem um complemento marginal do currículo: é uma condição essencial para uma educação integral. Uma educação verdadeiramente contemporânea integra ciência, tecnologia e artes como dimensões indissociáveis da formação humana e reconhece que formar cidadãos livres, criativos e críticos é inseparável da construção de uma democracia viva, participada e culturalmente consciente.

Educação enquanto vetor de futuro

O Dia Mundial da Educação 2026 é, por isso, um convite à ação: reforça que a educação é mais do que escolaridade — é um direito humano, um catalisador da igualdade, um alicerce para sociedades pacíficas e um motor do desenvolvimento sustentável. Em Portugal, como noutros países, o caminho faz-se com investimento e políticas públicas consequentes, mas também com participação real dos jovens e das comunidades: co-criar educação é reconhecer que o futuro não se impõe — constrói-se, em conjunto, com confiança, justiça e ambição democrática.

© Manuela Ralha, 2026

Comentários

  1. A educação é um direito humano, ela transforma vidas, abre caminhos e constrói um futuro mais justo. Investir em educação é garantir oportunidades, reduzir desigualdades e fortalecer a sociedade. Que este dia nos lembre da importância de valorizar o conhecimento, os educadores e o direito de todos a aprender.

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  2. Bom dia... Adoro a Whitney Houston e esta música é linda!... Vou só frisar uma coisa: a razão da nossa existência são as crianças!!!

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© Manuela Ralha